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Resumo cap 2, Livro: “O que o seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar Matando Você”

Publicado por saudesaibavctbem em 30 Abril 2008

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “O que o seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar Matando Você”, capítulo DOIS:

O          	   QUE SEU MEDICO NAO SABE SOBRE MEDICINA“(…) Em 1990 os Estados Unidos ficaram em décimo oitavo lugar em expectativa de vida, quando comparado às mesmas vinte e uma nações industrializadas de 40 anos antes. Apesar dos bilhões de dólares que os norte-americanos gastam em serviços de saúde, somos considerados uma das piores nações industrializadas do mundo quando se trata de expectativa de vida. (…)

Mais de 60 milhões de norte-americanos sofrem de algum tipo de doença cardiovascular (doenças do coração e dos vasos sanguineos); mais de 13,6 milhões têm doença arterial coronariana. Embora tenha ocorrido um decréscimo no número de mortes por doenças cardiovasculares nos últimos 25 anos, esta ainda permanece a causa número um de mortes nos Estados Unidos. Há mais de 1,5 milhões de ataques cardíacos por ano e aproximadamente metade deles, ou pouco acima de 700 mil, são fatais. Tristemente, cerca de metade dessas mortes ocorre menos de uma hora após o ataque, muito antes do indivíduo poder chegar ao hospital. (…)

Apesar da imensa quantidade de dinheito despendida em pesquisas e tratamentos para o câncer, este continua sendo a segunda maior causa de mortes nos Estados Unidos. (…)

Acho preocupante a atitude prevalecente entre os pacientes de hoje, que aceitam como inevitável o fato de que desenvolverão uma ou várias dessas doenças degenerativas crônicas. Eles vêem a medicina moderna como sua salvadora, e os medicamentos como sua cura. Tristemente, é só depois de adoecerem que os pacientes percebem como nossos tratamentos são, na verdade, ineficazes. (…)

A comunidade de serviços à saúde orgulha-se da promoção de tratamentos preventivos. Mas você já pensou um pouco sobre esse método? Os médicos, é certo, estimulam os pacientes a fazer exames de rotina para manterem sua saúde. Mas uma olhada mais atenta nas recomendações dos médicos nos leva logo à conclusão de que eles estão apenas tentando detectar doenças antecipadamente. Pense nisso. Como observei, os médicos efetuam rotineiramente exames de papanicolau, mamografias, exames de sangue e exames físicos com o objetivo primário de verificar se já há, em seus pacientes, alguma doença silenciosa. O que foi que se preveniu?

Obviamente, quanto antes essas doenças forem detectadas, melhor será para o paciente. O ponto que quero salientar aqui, contudo, é o pouco tempo e esforço que os médicos ou a comunidade de serviços à saúde, empenham em realmente instruir os pacientes sobre como esses podem proteger sua saúde. Em outras palavras, os médicos estão ocupados demais tratando de doenças para se preocuparem em instruir seus pacientes sobre estilos de vida saudáveis, que ajudem, antes de tudo, a evitar o desenvolvimento de doenças degenarativas.

Se desejarmos chamar algo de preventivo, então creio que esse algo deva, de fato, prevenir alguma coisa. Afirmo enfaticamente que a verdadeira medicina preventiva envolve estimular e apoiar os pacientes na adoção de uma abordagem tríplice: comer saudavelmente, praticar um programa consistente de exercícios e ingerir suplementos nutricionais de alta qualidade. Dar aos pacientes condições para evitar a contração de alguma dessas grandes doenças é a verdadeira prevenção. (…)

Creio que o Dr.Kenneth Cooper seja um dos principais médicos na área da medicina preventiva. Ele cunhou o termo aeróbica e deu início à febre dos exercícios no início dos anos 70.

Hoje, todos assumimos como verdade sagrada a que se teve de medicamente provado há apenas três décadas. Lembro-me de médicos discutindo em reuniões na época sobre se era correto incentivar os pacientes a fazer exercícios. O Dr.Cooper perseverou e continuou a divulgar os benefícios que os exercícios podiam trazer à saúde dos pacientes. No final dos anos 70, a maioria dos médicos passou a concordar com ele e a recomendar um programa modesto de exercícios. (…)

Os benefícios mais destacados eram:

  • perda de peso;
  • baixa pressão sanguinea;
  • ossos mais fortes e menor risco de osteoporose;
  • níveis elevados do colesterol “benigno” HDL;
  • níveis reduzidos do colestetol “maligno” LDL;
  • níveis reduzidos de triglicérides (gorduras);
  • aumento da força e da coordenação;
  • maior sensibilidade à insulina;
  • melhora do sistema imunológico; e
  • aumento geral na sensação de bem-estar.

E quanto aos hábitos alimentares? Os médicos sabem também que os pacientes que seguem uma dieta de poucas gorduras, que inclua aos menos sete doses diárias de frutas e vegetais, gozam de maiores benefícios à saúde. Estes incluem:

  • perda de peso;
  • redução do risco de diabetes;
  • redução do risco de doenças do coração;
  • redução do risco de quase todas as formas de câncer;
  • redução do risco de pressão alta;
  • redução do risco de colesterol elevado;
  • melhoras no sistema imunológico;
  • maior sensibilidade à insulina; e
  • maior energia e capacidade de concentração.

Tendo pesquisado a literatura médica nos últimos 7 anos, acredito firmemente que há benefícios significativos para a saúde na ingestão de suplementos nutricionais de alta qualidade, mesmo que você goze de excelente saúde. Para dizer de forma simples, os benefícios à saúde dos suplementos nutricionais são:

  • um sistema imunológico fortalecido;
  • um sistema de defesa antioxidante fortalecido;
  • redução do risco de doença arterial coronariana;
  • redução do risco de AVCs;
  • redução do risco de câncer;
  • redução do risco de artrite, degeneração macular e catarata;
  • possibilidades de redução do risco do mal Alzheimer, mal de Parkinson, da asma, da doença pulmonar obstrutiva e de outras doenças degenerativas crônicas; e
  • possibilidades de melhorar e muito o curso clínico de diversas doenças degenerativas crônicas.

Pacientes que iniciarem um programa consistente de exercícios, com uma dieta saudável, e tomarem suplementos podem mesmo melhorar de pressão alta, do diabetes e do colesterol elevado a ponto de dispensarem a ingestão de certos medicamentos? A literatura médica certamente sustenta esta possibilidade. (…)

Na verdade, porém, a maioria dos médicos, em seus consultórios, só fala de mudanças no estilo de vida da boca para fora, no momento mesmo em que estão preenchendo receitas. Perceba que os médicos costumam pressupor que a maioria dos pacientes jamais mudará seu estilo de vida e que a única salvação realista são as drogas que podem receitar. (…)

Todos conhecem os benefícios à saúde de um bom programa de exercícios e de uma dieta saudável. Poucos, contudo (e especialmente os médicos), têm algum conhecimento dos benefícios à saúde trazidos pela ingestão de suplementos nutricionais de alta qualidade. Já disse que fui um desses médicos desinformados. Mas incontáveis estudos provam que a tríade de uma dieta saudável, de um bom programa de exercícios e de suplementos nutricionais de alta qualidade é a melhor maneira de proteger sua saúde. É também a melhor maneira de tentar recuperar sua saúde após tê-la perdido. (…)

Você está disposto a fazer mudanças necessárias em sua vida para assegurar sua saúde? Acredito que uma vida física plena e abundante não tenha de começar a declinar após os 40 anos. Acredito que cada ano de sua vida pode ser o melhor de todos. É hora de parar de viver pouco e morrer muito!”

Retirado do livro: O que o seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar Matando Você”, 2004 – Editora M.Books, de Ray D. Strand, M.D. [Comprar]

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Resumo cap 1, livro: “O que o seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar Matando Você”

Publicado por saudesaibavctbem em 28 Abril 2008

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “O que o seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar Matando Você”, capítulo UM:

O          	   QUE SEU MEDICO NAO SABE SOBRE MEDICINA“Eu já não sabia quanto de frustação ainda seria capaz de tolerar com a saúde declinante de minha esposa. E eu não era apenas mais um marido preocupado: era um médico. (…)

Finalmente, após testes e avaliações, os médicos disgnosticaram o problema de Liz como sendo Fibromialgia. Esta condição médica envolve diversos sintomas – os piores sendo a dor crônica e a fadiga. (…)

Como a fibromialgia não tem cura, tudo o que pude fazer para minimizar os sintomas de Liz foi carregá-la de medicamentos. Eu a fiz tomar amitriptilina à noite para dormir, antiinflamatórios para dor, relaxantes musculares, inaladores para asma e febre do feno, seldane para alergias e até mesmo injeções antialérgicas semanais. Apesar de meus esforços e de toda essa medicação, sua saúde piorava ano após ano. (…)

Quando perguntei quanto tempo levaria para que ela se recuperasse, a resposta foi que de seis a nove meses – ou talvez nunca.

Mais ou menos por essa época, uma amiga da família comentou com Liz que seu marido também tivera pneumonia e sofrera com uma grande fadiga durante a convalescência. Ele tomou certos suplementos nutricionais, e estes o ajudaram a recuperar as forças. Liz e sua amiga sabiam de minha atitude negativa com relação a suplementos nutricionais, então Liz tinha ciência de que precisaria de minha aprovação antes de experimentá-los. Quando me abordou, até eu fiquei surpreso com minha resposta: “Querida, pode tentar o que quiser. Nós, médicos, não estamos lhe fazendo nenhum bem.”

Para ser sincero, eu não sabia quase nada sobre nutrição ou suplementação nutricional. Na faculdade de medicina não tinha recebido quase nenhuma instrução sobre o assunto. E não estava sozinho. Apenas 6% dos médicos formando-se atualmente nos Estados Unidos têm algum treinamento em nutrição. (…)

Em função do respeito que têm pelos médicos, as pessoas presumem que somos especialistas em todos os problemas relacionados à saúde, incluindo nutrição e vitaminas. Antes de minha experiência de conversão a medicina nutricional, meus pacientes perguntavam-me com frequência se eu achava que tomar vitaminas trazia algum benefício à saúde. Eles levavam seus frascos de suplementos ao consultório e me faziam examiná-los. Eu franzia o cenho e, com minha expressão profissional mais astuta, examinava cuidadosamente os rótulos. Devolvendo os frascos, respondia que aquela droga não servia para nada.

Meus motivos eram bons: eu não queria que as pessoas desperdiçassem seu dinheiro. Eu acreditava realmente que aqueles pacientes não precisavam de suplementos e podiam obter todas as vitaminas que precisavam com uma boa dieta. Afinal de contas, é isso o que aprendi na faculdade de medicina. Eu podia até citar algumas pesquisas que apontavam o perigo potencial de certos suplementos. O que não dizia a meus pacientes é que eu não tinha passado um minuto sequer avaliando as centenas de estudos científicos que provavam o valor da suplementação para a saúde.

Mas o que fazer com minha esposa doente? Eu podia bancar o mágico profissional no consultório, mas, em casa, era apenas outro marido desamparado, vendo a esposa fenecer. Eu realmente não tinha escolha, e por isso disse à Liz: “Vá em frente, experimente as vitaminas. O que você tem a perder?”.

No dia seguintes, sua amiga nos trouxe um série de suplementos vitamínicos – carregados em antioxidantes: nutrientes como vitamina E, vitamina C e betacaroteno, que protegiam o corpo contra os efeitos nocivos da oxidação. Liz os engoliu com avidez, e emborcou ainda dois copos de líquidos para a saúde. Para meu espanto, em três dias ela se sentia visivelmente melhor. Fique feliz por ela, mas confudo. Conforme os dias seguintes transcorriam, Liz ganhava mais força e energia, e até mesmo ficava em pé à noitinha. Depois de três semanas ingerindo pílulas e tomando aquelas bebidas de aparência exótica, ela se sentia tão bem que parou com os esteróides e os tratamentos com nebulizador.

Três meses se passaram, todos trazendo melhoras graduais, e Liz não sofreu nenhuma recaída. Ela estava mais forte do que jamais se sentira em anos, e exalava uma renovada perspectiva para a vida. (…)

O que havia ocorrido? Eu estava aturdido. Se não tivesse sido testemunha ocular desta transformação, nunca acreditaria nela. Seria possível que algumas “vitaminas esquisitas” tivessem restaurado a saúde de minha esposa quando todos os medicamentos e toda a perícia médica eram incapazes de ajudar? (…)

Vasculhando uma livraria uma semana depois, vi um livro do Dr.Kenneth Cooper chamado “A Revolução Antioxidante”, 1994. O Dr.Cooper explica um processo chamado “estresse oxidativo”, que segundo ele, é a causa subjacente de doenças degenerativas crônicas – essencialmente um “quem é quem” dos problemas de saúde que flagelam hoje a humanidade. Devorei o livro. (…)

Pesquisas científicas demonstraram, para além de quaisquer dúvidas, que o estresse oxidativo, ou dano celular por radicais livres, é a causa primária de mais de setenta doenças degenerativas crônicas. O mesmo processo que faz o ferro enferrujar ou uma maça cortada ficar marrom é o iniciador subjacente de doenças como a arterial coronariana, o câncer, a apoplexia, a artrite, a esclerose múltipla, o mal Alzheimer e a degeneração macular. (…)

Saber quão livremente o estresse oxidativo prejudica o organismo foi algo que mudou minha perspectiva com relação às doenças degenerativas crônicas. Por exemplo, como o estresse oxidativo pode causar danos até mesmo ao núcleo de DNA das células, ele pode ser o verdadeiro vilão do câncer. (…)

(…) o Dr.Cooper descobriu que alguns atletas que treinavam intensamente acabaram enfrentando sérias moléstias crônicas. Todos mostravam sinais de estresse oxidativo… (…)

Somente no ano passado examinei mais de 1.300 estudos médicos editados por especialistas versando sobre suplementos nutricionais e o modo como estes afetam as doenças degenerativas crônicas. Esses estudos eram ensaios clínicos do tipo duplo-cego, controlados com placebo, o tipo que os médicos adoram. A suprema maioria destes estudos aponta uma melhora significativa de saúde entre pacientes que tomavam nutrientes em níveis otimizados, os quais são significativamente mais altos que o nível dos valores diários de referência.

Quando você conhece o tremendo dano que o estresse oxidativo inflige ao corpo humano durante a vida cotidiana normal, percebe o quão importante é otimizar seu próprio sistema de defesa natural. Sua saúde e sua vida dependem disso. (…)

Concluí, após muito estudo, que usar a suplementação nutricional em pacientes não é uma medicina alternativa, mas uma medicina complementar. Na verdade, isso pode representar o que há de melhor na corrente central da medicina, pois é um verdadeiro método preventivo. Tomar suplementos nutricionais não é erradicar doenças: é promover uma saúde vibrante.

Depois de avaliar os estudos médicos, já não tenho absolutamente dúvida de que aqueles dentre meus meus pacientes que tomam suplementos nutricionais de alta qualidade têm ganhos de saúde superiores aos dos que não tomam. Embora o paciente possa ter um problema de saúde específico, quando recomendo os suplementos não estou tratando necessariamente daquele problema em particular. Estou simplesmente cuidando para que o presente forneça a seu corpo nutrientes nos níveis otimizados – os quais, conforme demonstram estudos baseados em pesquisas médicas , proporcionam benefícios à saúde. Chamei essa abordagem à saúde de nutrição celular, algo que permite ao corpo realizar aquilo que Deus planejou. (…)”

Retirado do livro: O que o seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar Matando Você”, 2004 – Editora M.Books, de Ray D. Strand, M.D. [Comprar]

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ROXOS de Saúde

Publicado por saudesaibavctbem em 21 Abril 2008

Aprecie em nossas telas os matizes das antocianinas, que conferem aos vegetais tons que vão do vermelho ao violeta. Elas afastam tumores, doenças vasculares e até o excesso de gordura

por Diogo Sponchiato | Design Thiago Lyra | Fotos Dercílio

O que os olhos vêem nas fotos destas páginas, o corpo inteiro sente. Espalhada pela natureza e, basta querer, também na sua mesa, destaca-se uma tinta, ou melhor, uma classe de compostos arroxeados sem igual. Se as nuances que recobrem as frutas e as hortaliças desta reportagem já chamavam sua atenção, a partir de agora devem resplandecer ainda mais. Afinal, estudos recentes mostram que as antocianinas, esses pigmentos poderosos visíveis na casca, mas encontrados também na polpa de alguns vegetais , são capazes de livrar as nossas células da sombra de diversos problemas.

Essas substâncias protegem as plantas de infecções e outros danos, diz a farmacêutica Neuza Hassimotto, pesquisadora do Laboratório de Química e Bioquímica dos Alimentos da Universidade de São Paulo. E, no nosso organismo, elas realizam a mesma façanha só que de uma maneira diferente.

Se a ciência já se encantava com seu poder de fogo contra os radicais livres, moléculas produzidas pelo próprio corpo cujo excesso está no esboço dos males degenerativos, outra novidade faz o componente saltar aos olhos: ele carregaria uma ação antiobesidade, garantem pesquisadores da Universidade de Chubu, no Japão (veja no quadro as frutas ricas nas benditas antocianinas).

Os japoneses conduziram dois trabalhos sobre os efeitos do pigmento um com células de gordura manipuladas em laboratório e o outro com camundongos. Daí observaram que as antocianinas são capazes de regular o funcionamento dos adipócitos, o nome científico das células gordurosas, sendo uma das chaves para mantê-los mais murchos e diminuir as chances de aparecer a famigerada síndrome metabólica. O time de cientistas verificou que os ratinhos submetidos a uma dieta rica em gordura e antocianinas ganharam poucos quilos comparados aos animais do grupo de controle, aquele sem cardápio gorduroso e sem pigmentos roxos.

As antocianinas podem controlar a expressão das adipocitocinas, moléculas produzidas pelas células de gordura, conta a SAÚDE! o líder da pesquisa Takanori Tsuda. Traduzindo: ao contribuir para que essas substâncias fiquem em equilíbrio no corpo, é possível evitar a sobra de gordura e a resistência à insulina, o mal que deflagra o diabete tipo 2.

Os pigmentos que dominam a paleta de cores de vegetais como os retratados à esquerda pertencem, na realidade, ao grupo dos flavonóides. Mas são bem diferentes de seus parentes entre eles, as isoflavonas da soja e as catequinas do chá porque absorvem a luz solar e a devolvem assim, roxa de tanta saúde.

Como todo membro da família flavonóide, as antocianinas contam com uma turbinada propriedade antioxidante. Para entendê-la, é preciso lembrar, antes de mais nada, que em todo o corpo são formados naturalmente os radicais livres, moléculas instáveis que perambulam pelas células e que, quando nossas defesas baixam a guarda, podem danificá-las. A poluição, a radiação ultravioleta e o cigarro, por exemplo, estimulam sua proliferação, num processo conhecido pelos especialistas como estresse oxidativo.

E aqui entram as substâncias roxas. Elas doam elétrons a esses radicais, estabilizando-os e impedindo que provoquem alterações nas células. Daí pinta sua capacidade de reduzir o risco de um câncer. Os radicais livres se formam também no DNA, conta Neuza Hassimotto. Quando o organismo está em desarranjo, eles podem atingir uma seqüência do código genético que acarretará no nascimento de uma célula pré-cancerosa. Então, ao multiplicar-se, essa unidade modificada lança as sementes para um tumor. Para barrar esse processo, a atividade antioxidante das antocianinas é maior do que a das vitaminas C e E, diz a doutora em ciência dos alimentos Leila Falcão, pesquisadora da Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná.

Além disso, os compostos que colorem amoras, uvas e repolhos roxos são capazes de minimizar estragos causados por inflamações. Isso porque inibem enzimas essenciais ao processo inflamatório, afirma Neuza. Ao somar essa ação benévola ao efeito antioxidante, as antocianinas não só retocam nosso corpo como o protegem de doenças cardiovasculares. E, por falar nas encrencas que detonam os vasos sangüíneos, estudos ao menos com ratos – revelam que os pigmentos conseguem dar um basta ao excesso de gorduras no sangue.

Orientei um trabalho que constatou, nos animais que ingeriram antocianinas, uma redução de 48,62% na concentração de colesterol e de 30% na de triglicérides, conta Tânia Toledo de Oliveira, professora da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais. O efeito é superior ao de medicamentos. Não à toa, a equipe da pesquisadora já estuda a produção de remédios com base nesses compostos naturais. Aliás, eles ainda impediriam a oxidação do LDL, a molécula que transporta o colesterol para todos os órgãos e, sem ser oxidado, o colesterol que sobra não consegue se fixar nas paredes das artérias, gerando as temidas placas.

O alto consumo de antocianinas, não se esqueça, também está costurado ao chamado paradoxo francês. As taxas de doenças cardiovasculares entre os franceses são baixas, embora eles insistam em saborear um menu gorduroso, lembra a nutricionista Beverly Clevidence, do Serviço de Pesquisa em Agricultura do governo americano. E uma das explicações, sem dúvida, é o fato de beberem rotineiramente vinho tinto, uma bela fonte de antocianinas.

Até a cabeça fica mais preservada quando seu prato conta com tons arroxeados. Ora, as antocianinas, assim como todo o exército de antioxidantes, são caras à prevenção de males como o Alzheimer. Nessa doença, aumenta a quantidade de radicais livres e de uma proteína chamada betaamilóide, relembra Tânia Toledo de Oliveira. Essa tal proteína, ao lado dos capangas radicais, podem degenerar de vez as células nervosas. Mas os pigmentos roxos são capazes como provam alguns experimentos de dificultar esse ataque.

De uma coisa você precisa saber: uma considerável porção das antocianinas que ingerimos não é absorvida pelo corpo. Então, boa parte é desperdiçada? Nada disso. A antocianina que não é assimilada vai fazendo seus benefícios pelo trajeto do aparelho digestivo, protegendo os órgãos por onde passa, da boca ao cólon do intestino, afirma a pesquisadora Beverly Clevidence. A nutricionista americana, aliás, investiga justamente por que alguns grupos de antocianinas são mais bem assimilados pelo nosso corpo do que outros. Em todo caso, os indícios são os seguintes: absorvidos ou não, eles são úteis à beça à saúde.

A grande questão, que carece de uma resposta certeira até o momento, é a quantidade ideal de antocianinas que deve ser consumida no dia-a-dia para alcançar tantos benefícios. Como não existem medidas precisas, os especialistas ainda retêm o pé atrás antes de prescrever uma cota diária. O teor de antocianinas depende da variedade da fruta e até da época da colheita, justifica Neuza Hassimotto. Certa vez, ao calcular a concentração delas em amoras silvestres, percebemos que havia 250 miligramas do pigmento em cada 100 gramas da fruta. No ano seguinte, outra safra, o teor caiu para 150, exemplifica.

Até que os cientistas cheguem à média de antocianinas de cada alimento e ao consenso de quanto deveríamos comer, pregam que o cardápio precisaria ter no mínimo uma porção diária de qualquer fonte. No café-da-manhã, dá para apostar numa torrada coberta com geléia de framboesa ou da brasileiríssima jabuticaba. Se preferir, assegure outra dose do pigmento preparando no almoço uma salada de repolho roxo ou de alface da mesma cor. No tempero, troque a cebola branca pela roxa. E, quando a berinjela entrar em cena, preserve a sua casca, já que é lá que estão as substâncias bem-vindas.

Quem quer investir nas frutas tem um prato cheio de opções para a sobremesa uma porção de morangos ou uvas do tipo Isabel, por exemplo. Sem contar que tanta cor, talvez você nem tenha reparado ainda, mora também em outras seções do supermercado. É que as antocianinas são usadas pela indústria como corantes, fazendo parte da fórmula de guloseimas, sucos em pó e certas gelatinas. Mas aí, em matéria dos benefícios descritos, o ganho é menor.

A melhor forma de consumir as fontes de antocianinas é in natura, enfatiza a engenheira de alimentos Gisele Alves, da Universidade de Taubaté, interior de São Paulo. Tudo o que destrói o tecido do vegetal interfere na quantidade do composto, explica Neuza. Aliás, saiba que na sua cozinha o problema não é tanto conservar a polpa no congelador, mas submeter o alimento ao calor. De qualquer forma, o importante é garantir os toques de roxo e dos tons que ondulam entre o vermelho e o azul em sua dieta. Assim as antocianinas vão ajudar suas células a trabalhar em harmonia, deixando o corpo todo em estado de obra-prima.

AS FRUTAS CAMPEÃS Quanto mais intensa a sua coloração entenda-se quanto mais para o roxo-escuro e o azul ela for , maior a quantidade de antocianinas

1. Mirtilo, ou blueberry
2. Amora
3. Açaí
4. Framboesa
5. Cereja
6. Uvas (mas, nelas, a grande concentração está na casca)
7. Jabuticaba (também na casca)
8. Morango
9. Acerola
10. Ameixa-japonesa (outra que você precisaria engolir com a casca)

RETOQUE O SEU PRATO Nem todos os vegetais famosos pela cor vermelha têm antocianinas. Tomates e beterrabas, por exemplo, devem sua pigmentação a outro tipo de substância. Aqui vão os que são fortes no composto violeta

1. Repolho roxo
2. Alface roxa
3. Milho roxo
4. Cebola roxa
5. Berinjela (a concentração está na casca)
6. Batata-doce (também na casca)
7. Amendoim (só vale com a casca)
8. Feijão-preto

A CONTRADIÇÃO DO AÇAÍSabe aquele grupo de antocianinas que auxiliaria o corpo a expulsar as gordurinhas a mais? Ele também está presente no açaí, uma das frutas tipicamente brasileiras, riquíssima no pigmento. Mas, calma lá, você provavelmente já ouviu falar que açaí engorda. E é preciso botar isso em preto no branco. Ele é calórico porque possui um elevado teor de lipídios, justifica o pesquisador Evaldo Silva, da Universidade Federal do Pará. O que se deve ressaltar, no entanto, é que a fruta contém ácidos graxos insaturados, gorduras de perfil semelhante às do azeite de oliva. Ou seja, para o coração, consumido sem exagero, é um coquetel maravilhoso de gordura benéfica com antocianina. Numa tigela você também garante fibras e proteínas. Mas, se o ponteiro da balança já incomoda, o melhor é escolher outros ingredientes cheios do pigmento.

BEBIDA ANTICÂNCERPiceatanol glicosídeo esse composto de nome estranho foi descoberto por acaso na tese de doutorado da engenheira de alimentos Andréa Gollucke pela Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista. Ela deparou com a substância capaz de prevenir tumores ao estudar o suco concentrado da uva Concord. O composto é formado depois que o suco passa por um processo térmico, explica Andréa, que leciona na Universidade Católica de Santos. Para tirar proveito, prefira os sucos integrais, que, embora sejam mais raros no mercado, não são diluídos com água nem recebem aditivos, como os do tipo néctar, vendidos em caixinha.

SUCO DE UVA OU VINHO? Ambos são carregados de antocianinas, mas é difícil dizer qual deles tem mais, já que tudo depende da variedade da fruta e até da safra. Ainda assim, há quem acredite que as propriedades antioxidantes do líquido de Baco superem as do suco. Não há um consenso sobre essa questão, diz Andréa Gollucke. Nas reações químicas que ocorrem durante a fermentação do vinho, as antocianinas ficam mais estáveis, o que pode trazer benefícios para o organismo, acredita Leila Falcão. Sem falar na ação vasodilatadora do álcool, que favorece todo o sistema cardiovascular.

Permita que hortaliças como o repolho roxo e a alface da mesma cor estrelem suas saladas. Aos amantes do vinho tinto, as boas doses de antocianinas dão mais um motivo para degustá-lo. Beba, no caso, duas taças ao dia

Produção Ina Ramos e Andrea Silva / Sacolão Higienopolis / Aletier Dotta / Casa do Artista

Fonte: Revista Saúde, edição 297 – maio/2008, editora Abril. [Veja Matéria na Revista]

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